Tuesday, October 24, 2006

Mais do mesmo

1985 começou.

Nove anos e dois, vá lá, três meses de idade.

Miranda Osório. 3ª série. Colégio novo. Professora nova. Dona Suzana, morena forte. Matérias novas. Religião e Educação Física. Droga, esqueci o nome da professora de religião. Tão legal a professora. Magrinha, branca, cabelos pretos. Droga, esqueci.

Dona Bibi, professora de Ginástica - como a gente dizia. Sempre de calça azul. Lycra.

Tudo novo. Menos a farda. Short jeans do ano passado. Camisa de tergal do ano passado. "Tu num cresceu, pra q farda nova!".

O bolso era novo. Complexo 2. Até a segunda série era complexo 1. Lá vai a mamãe comprar um bolso no começo do ano. Casa Bebé. Todo aquele minucioso trabalho com a gilete pra parecer q a camisa nunca tivera outro bolso. E eu observando a mamãe nas engenhosidades da arte de costurar.

Mais livros pra ler, chatos. Revistas são melhores. Comprei a do Conan, o bárbaro no seu Luiz. Um sebo no mercado central de Parnaíba. Próximo à loja do pai da Bel, q não consigo lembrar. Só lembro da Casa Araújo, Armazém Ouro Branco... A revista era colorida, número 1. Desenhos de John Buscema e de um japonês q num lembro o nome. Desenhos bonitos, muito bonitos. Morro de raiva quando me lembro q troquei esta revista por contos (carteiras de cigarro q colecionava).

A outra banca de revista usada (sebo) ao lado é do Caçula. Botafogo todo. Agora a banca do seu Luiz é dirigida pelo neto dele. Rapaz moreno, educado. A variedade de revistas continua assustadora.

Neste ano mamãe comprou pra mim. Depois d'eu quase chorar. Uma pasta marrom. Estilo 007. Daí o apelido, no colégio - q duraria até a sétima série no Polivalente (apelido e pasta) -, de Doutor Dourado. Tinha tb o Doutor Henrique. Andava sempre com o Nelson. Ele sabia desenhar. Sou doido por quem sabe desenhar.

Não tive dificuldades com notas. Era um sistema interessante. Poucos se lembram. O ano dividido em dois semestres. Cada semestre com dois bimestres. Cada bimestre duas provas. Como fazer com estas oito provas pra que o resultado máximo fosse igual a 100 pontos. Simples. Uma prova valia 12 pontos, a seguinte 13 pontos. O 13 me persegue de muito tempo.

Voltando um pouco. Na primeira série fiquei com 100 pontos. Ganhei um jeep de plástico seco da Professoranda (q não lembro o nome - quase, por muito pouco mesmo, seria minha irmã Teresa Cristina a Professoranda, teria sido perfeito).

Segunda série quase fico. O problema das letrinhas. Tinha q inventar algo pra passar o tempo chato da escola.

Terceira série, notas regulares. Não havia competitividade. Não havia pq me esforçar. Chato.

Nesse ano já frequentava a biblioteca do SESC. Li muito Delta Larrouse em 1985. Li muito Almanaque Abril tb. Lia tb Quatro Rodas. Globo Rural. Jornal Folha do Litoral...

No ano anterior desenhei o rosto do cara da banca de revistas em frente a igreja de São Sebastião. Ele mim deu a revista do Pelezinho. Eu queria mesmo era a do Memín Pinguín. Vergonha de pedir. Graças a um blogueiro tive o prazer de rever o Memín Pinguín. Eu em minha mente queria por força q o nome do personagem fosse Güi Pingüin. Vá entender o cerébro.

No primeiro dia de aula o Euclides (meu primo de tantas brincadeiras, conversas) me ciceroniou. O prédio era monumental pra mim. Tinha até túneis por baixo do piso de madeira. Esperei chamarem meu nome. É interessante como a gente sabe q é uma coisa mas espera a confirmação. Eu já sabia estar matriculado naquele colégio. Estava fardado. No meio de várias pessoas fardadas. Mas esperava ouvir meu nome. Uma espécie de confirmação, sei lá.

Dias de provas eram os melhores dias pra mim. Sempre gostei de provas. A gente sai mais cedo. Levava um único lápis. Sem borracha. Só gosto de borracha quando estou desenhando, pra fazer algum efeito. Comprava uma folha de papel 'ao maço' na quitandinha q hoje não existe mais. Era ao lado onde hoje mora o cara do SESC.

Não lembro da diretora. Lembro dos maribondos. Das chineladas derrubando eles. Nós correndo, gritando. Era lindo. Os mais velhos correndo atrás das meninas. E elas fingindo correrem, pra logo em seguida parerem, e esperarem pelo ataque dos proto-machos. Eu não entendia o pq de toda aquela farça. Deve ser instinto inato pro teatro. Deve ser isso.

As mulheres só me apareceram, como elas são, muito depois. Preferia a biblioteca, os livros, a banca do Louro - onde eu lia muitas revistas sem comprar.

O ano de 1986 trouxe o cometa Halley, q eu não vi. Nunca conseguia acordar cedo. Quando acordava, ficava vendo o Telecurso 2º grau. Comprei caderno e revista com os personagens Halley.

O ano de 1986 fica pra depois.

Sunday, October 22, 2006

Fórmula 1 - Homenagem a Felipe Massa pela vitória no Brasil

Uma tentativa da Minha Auto-biografia Não Autorizada.

Para a Bel.

Corria o ano de 1979. Pura expressão. Sem ação.

O ano não corria. Eu, sim. Me embrenhava em cansansões brancas. Pegava chicletes enterrados na areia da rua 3 de Maio. Brincadeiras q não voltam.

Não lembro de 1975. Dizem q nasci neste ano. Bairro Nova Parnaíba. Rua Jaicós. Em frente a dona Chaga. Quase minha madrinha.

Passemos rápido por 1980 pq não me conformo de não ter preso em minha mente as imagens da Olimpíada de Moscou. Logo eu q sou louco pela Rússia. Seus escritores. Seu idioma. Os caracteres cirílicos. Os glagolíticos q não conheço bem.

Li uma revista do Homem-aranha contra o Duende Verde. Não sei precisar se em 79 ou 80. Não esqueço da revista. Colorida. Depois li muitas Cartas de ABC e Tabuadas. Chatas, rasguei todas.

1981. Chegamos na Tabajara. O vovô e o tio Tomás fizeram a casinha de taipa. Vovô Euclides. Mascava fumo até não poder. Não me aceitaram no Ferroviário. Alfabetização. "É muito novo o menino". Há mal em ser novo. Digam.

Pra explicar o título regresso a 80. Meu primeiro brinquedo, q lembro, foi um carrinho de Fórmula 1. Um charutinho, azul-escuro. De plástico seco. Pneus pretos.

1982. Agora, sim. Vou estudar oficialmente. Já havia lido quase todo o Almanaque Abril '82 q o Antonio João mandou do Rio de Janeiro pra mamãe. Lá eu aprendi quase tudo q sei de Geografia e História. O resto aprendi assistindo ao Fantástico. E lendo outros livros, anos mais tarde. Decorei aquelas bandeirinhas todas. Gravei quase todos os países, capitais, sistema de governo, moedas. Adoro moedas estrangeiras. Colecionava. A copa do mundo do Telê Santana. O Jô Soares frescando com ele no Viva o Gordo. A propaganda do Pacheco. O Valdir Perez.

No Ferroviário era um pouco chato. Tinha poucas coisas pra se ler. A gente escrevia pouco. Pintávamos muito. Achava chato. Queria ficar em casa lendo e vendo TV.

1983. Cândido Oliveira Anexo. Atual Supletivo Alberto Silva. Os livros eram melhorzinhos. Tinham mais textos. Mais eu gostei mesmo foi da revista Manchete '83 q o Antonio João mandou do Rio de Janeiro. Li todinha. Inclusive as propagandas. Tinha vontade de desenhar as figuras, não conseguia. No colégio o Ângelo teve paciência comigo ao me incentivar a desenhar com a 'folha-fina'. Depois passei pro carbono. E no final do ano já desenhava 'só olhando'.

Me lembro q no primeiro dia a dona Leda (professora) me apresentou pra dona Rose (diretora). Ela estava, pelo menos parecia, admirada pq eu tinha lido todo o texto 1 do livro. Não entendi, pensei q não era pra eu ter lido. Fiquei cabreiro com a professora.

Nesse tempo Nelson Piquet era bi-campeão mundial de Fórmula 1. Eu era fã daquele cara. Ainda sou. Quando o Airton apareceu para o mundo eu já tava com minha personalidade formada. Não sou fã dele. Quem fez minha infância dar pulos de imaginação foi o Nelson Piquet. Primeiro pq o cara conhecia vários países q eu só sabia da existência por causa do Almanaque Abril '82. Segundo pq o cara era bom. Terceiro, eu gosto de carros, máquinas, inventos etc.

1984. Lembro da Olimpíada de Los Angeles. Joaquim Cruz, coisa e tal. 2ª série. Novamente a chatice. Diminui o tamanho da minha letra pra ver se me interessava pelas aulas. Nada. Diminui tanto q a professora (não lembro o nome) chamou a mamãe. Passava as aulas desenhando. Assunto besta. Já tinha lido tudo. Queria ir proutro colégio. Mas ia demorar um ano inteiro. Deveria ter supletivos pra crianças. Deveria, sinceramente, deveria.

1985, depois eu conto.